Primeiro Dia: O Pai
(Célia - Missionária Verbum Dei)
Estamos vivendo um tempo de graça. Viver o Carnaval com Cristo. Agradecer a Deus porque Ele nos procura.
Cada um chega aqui com a vida, com a experiência do ano. Deus nos traz aqui porque quer nos falar. Tudo o que vivemos foi caminho para que Deus nos trouxesse até aqui. Nada acontece por acaso. Deus já tinha nos preparado esse momento.
Deus nos fez o chamado e estamos aqui. Que possamos aproveitar essa oportunidade. Calar as pressas. Parar. Nos desligar das coisas por fazer. Ter um encontro comigo mesma. Aproveitar o chamado de Deus. Aproveitar o tempo que Deus nos dá.
Estamos em silêncio para aprender a estar e conviver com Alguém que levo dentro. Para aprender a escutá-Lo precisamos de silêncio externo, que é que nos ajuda a manter silêncio interno. Buscar em Deus o porquê da nossa vida, Deus nos ama e quer nos fazer feliz.
Deus reuniu aqui a Família Verbum Dei. Para aprender a viver aquilo que Deus nos chama: ser Verbum Dei, Palavra de Deus. O que Deus me fala é o que vou comunicar aos outros. Deixar Deus falar na minha vida.
Estamos aqui porque Deus já tinha pensado. Desde onde estou Deus quer me falar, na minha vida, na minha existência. Que possamos responder esse convite de onde estamos.
Existem muitas coisas misturadas por dentro. Estamos cheios de correria, trabalho, estudo. Vamos dormir e não temos consciência do que vivemos no dia. Os exercícios espirituais servem pra pôr ordem na vida, colocar as coisas no lugar. Descobrir que Deus vai conduzindo a nossa vida. Identificar o que vamos vivendo e perceber que em tudo Deus está falando.
Os exercícios espirituais são instrumento com o qual o Espírito Santo vai configurando a nossa vida, fazendo com que seja o que Ele nos chamou a viver. A imagem de Jesus, do Filho. O Espírito Santo quer nos fazer viver como Jesus. Para que sejamos palavra viva de Deus.
Há muitas palavras soltas no mundo. Deus quer unificar a nossa vida. Que a nossa palavra seja vida. Que vivamos o que falamos. Que Palavra e vida sejam uma coisa só.
Quando vemos o mundo desacreditamos na palavra. Falam uma coisa e fazem outra. E isso nos faz rejeitar a palavra. Deus nos chama a ser Palavra. Que Ele nos oriente a viver como Ele quer.
Hoje percebo em mim três movimentos espirituais: Súplica, desejo e ação de graças. Suplico que o Espírito Santo nos ajude. É Ele que nos leva. Que nos deixemos na Suas mãos, Senhor. Que nos deixemos guiar por Deus. O Espírito Santo vai atuar. Sinto desejo de fazer esse retiro. Disponibilidade interna. Vontade de estar com Deus, de estar com o essencial da minha vida. Me deixar encontrar com Deus, desde onde estou, não como eu gostaria de ser, ou gostaria de estar. E ação de graças porque estamos nas mãos de Deus. Nas mãos seguras do Pai. Como um jarro frágil, mas nas mãos daquele que pode transformar. Dar graças por tudo, mesmo pelo que não entendemos, que possamos reconhecer que essa obra é obra de Deus.
Deus quer falar em tudo. Estamos aqui porque somos pessoas de fé. A primeira atitude para fazer os exercícios é ter fé. É a fé que Deus vai exercitar para que possa aumentar e nos sustentar.
Reconhecer que em tudo o que vivi neste último ano, Deus foi preparando esse momento.
Sab 8,2 – Eu a quis e a cortejei desde jovem, e a pretendi como esposa, apaixonado por sua formosura.
Deus está apaixonado por nossa vida e por isso nos traz aqui. Nos busca por meio de todos os acontecimentos para que tenhamos vida plena. Deus nos chamou para estarmos aqui alegres Nele. Não é simplesmente uma alegria externa, mas uma alegria profunda que nada pode me tirar.
Levamos uma comunidade dentro: a Trindade. Uma comunidade que está em harmonia, que está unida pelo Amor. Deus nos chama a estarmos unidos a Ele pelo Amor. Deus está comprometido com a nossa vida. Não nos deixa só. Ele se compromete. Nos chama pessoalmente e em comunidade para que nos ajudemos a viver a fé.
Toadas as fontes estão em mim. Que busquemos dentro. O retiro é para exercitar o beber dessa fonte. Temos sede de muitas coisas, de vida, de paz, de felicidade, de vida com sentido. E Deus nos diz que temos tudo isso dentro de nós. Tudo que preciso está dentro. O resultado desse retiro será o encontro com Deus. Que o Espírito Santo nos ajude a fazer exercícios de fé. A crer sem ver. Como o ar, não vemos, mas sabemos que Ele está, nos sustenta.
É o Espírito que conhece todos os meus cominhos. De tudo o que vivemos deixemos que Ele nos diga a sua versão. Que Deus nos dê a visão dEle dos fatos. Deus já sabe tudo. Muitas vezes queremos o porquê. De tudo Deus tira o bom, até daquilo que eu gostaria de apagar da minha vida. Tira o precioso de tudo. Que tenhamos uma atitude de abertura para que Deus possa falar.
Deixar que Deus nos abra caminhos. Se uma porta fecha, muitas se abrem. Deixar que Deus abra essas portas. Deixar que Ele dê as respostas que estou procurando. O material que trazemos para Deus trabalhar é a nossa própria vida, para que Ele possa modelar conforme a Sua vontade, com o querer Dele, que é o melhor pra gente.
Que Deus me faça a Palavra Dele. Ser como um livro em que Deus possa escrever. Ser como cadernos novos no início do ano. Que Deus escreva o que Ele quer que eu viva nesse ano, e que Ele me conduza a viver tudo isso.
Sl. 8 – O que é o homem para que dele te lembres?
Deus tem uma perspectiva muito grande para a nossa vida. Muito mais do que nós mesmos. A perspectiva de Deus sobre a minha vida é muito maior do que a minha própria perspectiva. Deixemos que o Espírito Santo nos leve além, nos faça ver como Deus vê a nossa vida e o mundo. Poder ver com os olhos de Deus, pra que nada no mundo possa abafar a nossa fé. Para que possamos ser a diferença, ser a esperança do mundo. Colocar nós mesmos aquilo que o mundo precisa.
Mt 6 – Entra no fundo do teu coração, fecha a porta e ora aí a teu Pai.
Dialogar com Deus, que está no mais íntimo. Ele dará a você o que você precisa. Falar tudo pra Deus. Ele sabe tudo, mas quer que eu me faça consciente.
Mc 10, 46-52 – O cego de Jericó
Mt 9, 27-31
O cego percebe que Jesus está e pede piedade. Na nossa vida também temos multidões que tentam nos calar. Que gritemos mais forte. Que os valores do Evangelho sejam mais fortes. Que as vozes do mundo que tentam nos escravizar não sejam mais fortes que os valores do Evangelho.
Jesus não está indiferente com a vida de Bartimeu. Pára, se detém. A multidão que tenta calar Bartimeu, o leva até Jesus, quando Ele chama.
Que queres que eu faça por ti? Deus nos pergunta hoje. A cegueira são as situações vividas que tentam nos tirar o horizonte. O cego já estava sentado na beira do caminho, mendigando. Deus quer nos devolver a vista e fazer com que caminhemos. Muitas vezes nos encontramos sentados na vida, sem saber por onde, como... Muitas coisas que vivemos ao longo do caminho são muito fortes, Deus sabe. E aí me pergunta: o que queres que eu faça por ti?
Que você possa expressar a Deus o que você precisa: caminhar, aceitar a vida como ela é, viver, aumentar a fé, que não fique parada no sentimento. A fé vai além dos sentimentos. É o que nos mantém em pé.
A nossa vida pode estar boa, mas nos falta paixão. Paixão pela vida, paixão por Jesus, paixão pelo Evangelho, Paixão pelo Reino que Jesus vem anunciar.
E pode ser que nos sintamos paralisados pelas circunstâncias. Queremos viver o que Deus nos fala mas encontramos correntes contrárias. Experimentamos a tentação de parar no caminho. E nos questionamos: será que esse caminho vale a pena? Será que esses valores valem a pena? Será que os valores que a sociedade me oferece são os que tenho que viver? Poder ser mensagem de Deus.
Escutar a voz de Deus que me levanta. No meio de tantas vozes parar e escutar a voz de Deus. A voz de Deus que me devolve a vida, que me faz voltar a caminhar. Pedir a Deus aquilo que vim buscar aqui. Expor pra Ele a minha causa. Mas também escutar a versão dEle, que pode ser muito diferente da minha. Que Ele possa nos introduzir nesse caminho de fé, nesse terreno de fé, para que possamos encontrar o que viemos buscar. Que Maria possa nos acompanhar nesses dias, para que possamos como ela, escutar a Ele e fazer o que Ele disser.
(Noelia - Missionária Verbum Dei)
Estamos praticando um ato revolucionário. Como pode um retiro em silêncio ser revolucionário? Sem armas, sem força, sem alvoroço?
Hoje as armas já não são mais revolucionárias, não provocam mudanças. O que verdadeiramente provoca mudanças hoje é o silêncio. Quem no Brasil passaria um carnaval em silencia? Quem dá seu próprio tempo de graça no mundo de hoje? O que vendemos hoje para o capitalismo é o nosso tempo. O comércio não fecha. Temos dois trabalhos. Nos transformamos em operários do capitalismo, em peças de uma máquina. Então, dedicar um tempo de graça para Deus é um ato revolucionário. Estamos aqui tentando refletir sobre a nossa vida, e não deixar que a vida seja dona de nós. Isso é um ato revolucionário.
Sócrates dizia que uma vida que não pode ser refletida não vale a pena ser vivida. Para nós cristãs e cristãos a máxima é: uma vida que não pode ser orada, rezada, lida, desde o olhar de Deus, que não pode ter oportunidade para contemplar e viver a vida de Cristo, não vale a pena ser vivida.
O silêncio se faz difícil muitas vezes. É difícil entrar em silêncio. Estamos acElerados, é difícil parar. Começa até a surgir um tédio muito grande. Não temos nem tempo pra ter tédio. Enchemos nosso tempo de coisas e esquecemos que o tédio faz parte da vida. O ritmo lento faz parte da vida e da natureza. Nós somos partes da natureza e temos um tempo lento também para as coisas da espiritualidade, obedecer o ritmo de Deus e do nosso coração.
São exercícios espirituais. Façamos exercícios espirituais para a vida. Aqui no retiro vivemos muitas coisas rápida e intensamente. Esse é o momento privilegiado para perceber como nos sentimos diante de várias situações.
No decorrer do ano estaremos muitas vezes entediados, cansados, angustiados, sentindo-nos sem controle. Como aprender a viver isso com Deus? Os exercícios nos ensinam isso.
Que não percamos a oportunidade de viver uma vida desde o olhar de Deus. De sermos protagonistas de nossa própria vida. Também esse espaço é um tempo revolucionário porque supõe gratuidade da nossa parte, de nos colocar diante de Deus e esperar que Ele se apresente quando quiser e como quiser. É um tempo de gratuidade de Deus também, que se apresenta sem pedir nada em troca.
Is. 55,1 – Atenção sedentos! Vinde às águas, também vós que não tendes dinheiro: vinde comprai trigo, comei sem pagar, vinho e leite gratuitamente.
É difícil com a nossa mentalidade acolher algo de graça, pensar que não temos que merecer. Isso é muito difícil pra nós. E queremos nos relacionar com Deus assim. Queremos merecer. E Deus se dá de graça.
O retiro serve para nos colocarmos abertos diante de Deus e deixar que Ele nos dê essa água que sacia. O grande protagonista do retiro é o próprio Deus. Pedir que Ele nos dê a graça da oração . Mesmo que tenhamos muitos anos de caminhada, muita experiência de oração, a oração será sempre graça.
O nosso Deus Trindade é o protagonista do retiro. O Deus que é “todas as nossas fontes”. No Verbum Dei, uma das fontes de espiritualidade é a Trindade, assim como o Corpo Místico, a Eucaristia e Maria. Nossa vida está chamada a ser convivência e diálogo com a Trindade. Nossa vida é casa de oração porque esse Deus que é Trindade está em nós. Esse Deus Trindade é essa fonte que está sempre jorrando, é inesgotável. Nunca poderemos dizer que O conhecemos completamente. Cada um tem um jeito especifico de experimentar Deus. Mas existem certas características que são iguais. Por exemplo, Deus se manifesta com Amor. Se se manifesta com ódio não é Deus.
Temos alguns parâmetros para reconhecer se estamos mesmo dialogando com Deus.
O povo de Israel experimentou Deus, como Deus libertador, em um tempo de crise. Porque quando estavam cômodos, nem pensavam que eram eles e quem era Deus. Mas quando começaram a apanhar a serem expulsos de suas terras, começaram a se questionar: quem é Deus? Quem somos nós? Isso também acontece conosco. Quando as coisas vão apertando começamos a nos questionar: onde está Deus? Com que Deus tenho convivido?
O Egito, para o povo de Israel, era o lugar da escravidão. Ex 3, 2-9
Moisés era pastor das ovelhas do sogro e um dia quis ir com as ovelhas em um lugar que nunca tinha ido. Atravessou o deserto e chegou ao monte de Deus.
Moisés foi se dispondo para o encontro com Deus, como nós também temos que fazer. E houve algo que chamou a atenção de Moisés. Na oração, me aproximar da palavra que me chama a atenção. Na oração tenho que fazer o exercício de me colocar por inteiro diante da presença de Deus. Tirar as sandálias dos pés, tirar os preconceitos, e se aproximar de Deus como esse terrenos sagrado que é sempre mais do que você.
Quem é o Deus com que estamos convidados a passar esses quatro dias? Moisés sentiu reverência porque aquele Deus não era qualquer um, era Deus da sua história, era o Deus do seu povo, um Deus que tinha sido fiel a tantas gerações.
Quem é o meu Deus? Em que sarça Deus está se manifestando agora, hoje, na minha vida? Em eu momentos da minha historia Deus se manifestou com fidelidade?
Essa foi a experiência de Moisés, ver que Deus era o Deus dos pais dele. A passagem continua descrevendo quem é esse Deus. Um Deus de compaixão, um Deus que vê a opressão do povo, que ouve seus clamores, que conhece o sofrimento do povo. Conhecer na Bíblia não é um conhecimento intelectual. É um conhecer experiencialmente, é padecer com.
Deixar que Deus nos diga essas palavras. Deixar que Ele diga que esteve comigo, que sofreu e sofre comigo.
“E desci para livrá-los dos egípcios.” Essa é a dinâmica constante de Deus para conosco. Desceu em Jesus e continua descendo através de tantas coisas e pessoas. A dinâmica de Deus é descer para nos libertar dos nossos “Egitos”.
Quando experimentei que Deus desceu até mim? De que Egitos Ele me libertou? Quais são os nossos Egitos? Aqueles que nos escravizam e não nos deixam viver com alegria e espontaneidade?
Deus nos liberta de vagar sem sentido. Tantas experiências que nos fazem sentir tão frágeis e tão pequenos. Existimos porque Deus quis. É o sentido da nossa existência. Deus nos livra da crueldade da vida. Lembrar dos momentos em que Deus se manifesta no meio da crueldade da vida.
Na rua onde moro existe uma família que vive na rua. Um casal com uma criancinha de uns quatro meses. Outro dia ela me pediu um pouco de comida para almoçar e quando desci para levar ela estava dando de mamar ao menino. Parecia faminta, mas antes de pegar a comida, colocou o menino para arrotar, toda cuidadosa. Me ofereci para segurar o menino enquanto ela comida, mas ela disse que não precisava, que ela se ajeitava. Claro, não me conhecia, não ia deixar o filho com uma estranha. Uma pessoa que tinha todos os motivos para perder a ternura, mas agia com muito mais amor que cuidado que muitas mães que possuem duas babás! Deus se manifesta no meio da crueldade da vida!
Perceber isso na nossa historia. Como em momentos tão difíceis Deus nos manifestou sua beleza. Deus nos livra da nossa lógica de troca, de comprar tudo. Nos amou primeiro. Nisso consiste ao amor. Deixar que Ele se manifeste e nos ame primeiro.
Nos momentos de silêncio, o que fazer?
Buscar um lugar cômodo.
Reler as pistas de oração.
Me colocar na consciência da presença de Deus.
Pedir a Deus que se manifeste. Que todos os meus desejos, ações e pensamentos se orientem pra Ele.
Pegar o texto bíblico e imaginar o lugar. Composição de lugar. Contemplar, saborear, me colocar no lugar do personagem da passagem.
Depois de me envolver com a passagem vou dialogando com Deus. Tento responder aquelas perguntas feitas anteriormente. (Quem é o meu Deus? Em que sarça Deus está se manifestando agora, hoje, na minha vida? Em eu momentos da minha historia Deus se manifestou com fidelidade? )
Depois faço a revisão da oração, relembro e registro a oração. Anoto as dicas, o que me chamou mais a atenção. Anoto quais os sentimentos que a oração me provocou.
Anotar quais os chamados senti por parte de Deus. Quais são as minhas resistências.
Assim posso ir tomando consciência do meu processo interior.
(Valentina - Missionária Verbum Dei)
Estamos meditando sobre a presença de Deus na nossa vida. A presença do Pai. Quem é esse Deus que é pai, que está na nossa vida?
A realidade de ter Deus na nossa vida é uma coisa muito grande. Faz muita diferença ter Deus como centro da vida ou não ter. A luta de Jesus foi fazer com que todos tivessem o Amor no centro da vida. Não ter o amor no centro da vida cria a pobreza, a diferença.
Qual o sentido da celebração eucarística? Toda eucaristia no fundo é uma ação de graças. Por que temos que dar graças se tantas coisas dão errado? Algumas teórico dizem que a nossa oração eucarística está feita sobre uma oração judaica em que davam graças e depois pediam. Porque é só dando graças que podemos saber o que pedir para Deus. Se não temos memória não sabemos como caminhar. Reconhecer como Deus continua se partindo, se oferecendo a nós. Aprendamos a dar graças para saber como continuar o caminho.
Estávamos meditando a revelação de Deus a Moisés. É engraçado reconhecer que Deus se manifesta a Moisés pelo interesse próprio de Deus. Deus se apresenta como um Deus preocupado com a humanidade. Será que sabemos disso? Reconhecemos isso? Reconhecemos que Deus não está longe mas se preocupa com a nossa humanidade?
Moisés pergunta em nome de quem deve dizer que está indo. E Deus diz: “eu sou aquele que é”. O que significa isso? Deus é aquele que está junto de nós. Deus vai falando com Moisés que é justamente um desligado do próprio povo, estava fugindo... não sabia direito o que era porque tinha sido criado pelos egípcios, mas se sentia israelita. Tanto que matou um egípcio ao vê-lo maltratar um israelita.
E Deus vai justamente a esse homem para que seja instrumento de salvação. O que acontece nesse encontro entre Moisés e Deus? Moisés tem a chance de descobrir a própria origem. O que ele desejava desde sempre era estar com o próprio povo. É difícil ir atrás dos nossos sonhos. A desesperança é a pior cadeia que pode existir. A nossa sociedade nos deixa desesperados ou apáticos. Deus desperta o desejo de juventude, de liberdade para todos, em Moisés.
Santo Inácio disse que o ser humano é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus e assim salvar-se. Mas de verdade, são poucas as pessoas que têm condições de louvar a Deus, porque para louvar a Deus é preciso ter um mínimo. O que Deus quer é que todos tenham uma vida tão feliz que sejam capazes de louvar.
Então o povo sai da escravidão e chega à terra prometida. Depois são expulsos dessa terra, vão para o exílio. É a história da nossa própria vida. O que o povo de Israel entende disso tudo: que Deus é o Deus da história. Que não é um Deus só deles. É Deus de todos, dos egípcios, dos babilônios. E muitas vezes nós achamos que Deus é só o nosso Deus. Que quando tudo vai mal, Deus não está. Até mesmo no nosso exílio pode ser lugar de revelação de Deus.
Se deixe interpelar por esse Deus que nos interpela nos exílios, não só nas partes boas. Se me conformo perco a melhor parte. Coisas boas podem nascer da parte difícil da nossa historia. Nos faz pensar em caminhos diferentes, em alternativas
Se não me conformo, não me centro, diante das dificuldades, descubro que Deus é o Deus da história.
Gn 11, 10ss
Rezar a genealogia de Abraão para descobrir qual é o nosso lugar na história. Qual é o nosso lugar na criação. Naquele tempo você descobria quem era revendo a sua genealogia. Você era alguém somente se tinha pai. Descobrir o nosso lugar. O nosso espaço. Nessa genealogia é Deus que se manifesta como pai que, naquela cultura, era a origem da vida.
Abraão, que tinha uma raiz, que sabia de onde vinha, foi chamado por Deus. O chama a se desenraizar. Pede para que ele vá pra outra terra porque quer se manifestar como Pai de Abraão, pai que gera, dá nome e direitos. Ser pai naquela época era isso.
Quais são os direitos que Deus nos dá. Sai das suas seguranças. E só saio das seguranças se tenho confiança em que m chama. Só posso ter esse nível de confiança se descubro que Deus é o meu chão. Deus promete a Abraão uma grande descendência. Naquela cultura, a fecundidade era fundamental. Faz também com que Abraão reconheça quem ele é. Somente quando descubro quem é meu criador posso descobrir de verdade quem sou. Se faço essas descobertas posso fazer muito bem ao mundo. Posso ser dom para os outros. Posso quebrar essa lógica de ricos e pobres, de ter ou não ter.
Perguntas para a meditação:
O que significa que Deus quer me criar hoje de novo? Que Deus é o meu criador? O que significa ser bênção e como da minha maldição Deus pode fazer surgir bênção?
As mulheres e homens que mudaram a humanidade foram aquelas e aqueles que se sentiram amados por Deus. Que à luz do Evangelho possamos buscar respostas para que o mundo possa ser diferente.