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sábado, 6 de março de 2010

RETIRO DE CARNAVAL

TODAS AS MINHAS FONTES ESTÃO EM TI
Sl 87,7

Segundo Dia: O Filho

(Noelia Missionária Verbum Dei)

Deus é o pai que gera. Deus mais do que nos criar, nos gera. Criar é algo externo. Você gera com as entranhas. A mulher gera com o próprio corpo, com o próprio sangue, com a carne. Somos criaturas de Deus geradas. Não somente criadas. Somos feitas com o mais interno de Deus.
O atributo que mais gostamos de Deus é que ele é todo poderoso. Mas o atributo mais profundo de Deus é o Amor. E foi essa marca que ele deixou em nós, não a marca de poder tudo.
Deus é aquele que nos dá nome, nos dá identidade. No Genesis vemos como Deus vai criando e colocando nome, dando identidade às coisas. Deus também nos dá um nome. Uma identidade. E isso nos faz únicos e irrepetíveis, nunca existiu alguém igual antes e nunca vai existir depois.
Quando cheguei ao Brasil fiquei surpresa com tantas pessoas na Praça Sete e fiquei pensando: será mesmo que não há ninguém igual a mim? Únicas digitais? Somos únicos. Isso nos fala de importância. Tudo que é único é importante. Cuidamos pois nunca mais vamos voltar a ver igual.
Deus nos dá direitos. Se pensamos nos direitos humanos eles se fundamentam no fato único de existirmos. Um ser humano nasce e já tem direitos, pelo único fato de existir. Os direitos que Deus nos dá se devem ao único fato de existirmos. Não preciso merecer. O que é merecer? Será que tenho tantas coisas porque mereço? Não. São direitos de filhos e filhas. Direito à vida, direito à felicidade. Direito a louvar, a servir. Não por algo que conquistamos mas por algo que Ele nos deu de graça. Que possamos saborear essa experiência, o bom que é existir como filhos e filhas de Deus. Louvar a Deus por isso.
Nem no erro do ser humano Deus o abandonou. E isso é escandaloso. Enviar o próprio filho é um escândalo ainda maior. A história da salvação parece que dá um pulo. O ser humano é desobediente e Deus manda os profetas, João Batista. E de repente dá um pulo, vem Ele mesmo, manda o filho. Seguindo a lógica do amor.
Que nessa manhã possamos meditar esse milagre: Deus nos ama ilogicamente, incalculavelmente. Jesus é algo inusitado, ilógico, inaugura um novo tempo na historia de salvação. Ele mesmo que veio a nós. Deus tem a historia em si. Se revelou na linguagem humana, numa linguagem que nós podemos entender.
Jo 1, 16-18
Desde sempre Deus amou o povo, mandou profetas, deu a lei, mas a plenitude da fidelidade é realizada em Cristo. Antes se cumpria a lei, agora Deus nos convida em Cristo a viver.
Nós cristãos temos um intérprete do antigo testamento. Ele interpreta a lei e as escrituras para nós. Uma nova lei não feita de pedras, mas de carne. Jesus é aquele que interpreta pra nós as escrituras. Deixar que ele interprete. Que ele nos revele plenamente quem é Deus, quem é o Pai. Por isso, nos centrar nos capítulos do evangelho de hoje, o sermão da montanha.
Mt 5 -6
Jesus sobe ao monte e proclama as bem-aventuranças. Sobe ao monte para dar a nova interpretação para a lei. Faz uma nova interpretação. Jesus não quer que a gente cumpra servilmente, mas que entenda a lógica do Pai.
Se a nossa justiça não for um pouco mais do que cumprir a lei, não entramos no Reino. Não porque Deus castiga, mas porque não vamos entender. Sem entender fico como o filho mais velho da parábola do filho pródigo.
Ir descobrindo quem é o Deus de Jesus, o rosto do pai de Jesus. Em vários momentos ele fala do Pai. Diz uma frase que estamos acostumados a ouvir mas que nos choca, Deus faz surgir o sol sobre maus e bons. Como Deus faz bem aos bons e aos maus?
No Uruguai houve uma grande seca no ano passado e tudo se perdeu, dos ricos e dos pobres. E meu pai disse: agora estamos todos iguais!
Não interessa pra Deus se fazemos ou deixamos de fazer. A nossa bondade não compra o amor de Deus. Que justiça é essa? Qual é a justiça de Deus?
“Teu pai que vê o escondido te pagará”. Não interessa o fato externo, mas a intenção com que a gente faz, é aí que Deus vê. Jesus vem resgatar o interior do ser humano.
Confiar em que Deus sabe realmente do que temos necessidade. Pedimos para nos fazer conscientes do que precisamos e pra perceber que vivemos de graça, não só do nosso esforço. Às vezes pensamos que sabemos mais da nossa necessidade do que Deus. Às vezes achamos que Deus é o gênio da lâmpada mágica.
Jesus quer nos fazer entrar em outra lógica. Não entrar em relacionamento com Deus pelo que eu preciso dele, ou pelo que ele precisa de mim. Não para que ele esteja a meu serviço ou para que eu esteja a serviço das necessidades dele. Deus não tem necessidades, mas quer contar conosco. Mas não cair na tentação de que eu faço tudo para Deus. Deus quis necessitar, quis me chamar para o seu serviço.
Essa é a relação que Jesus nos ensina, uma relação filial. Quem é realmente o senhor da nossa vida? Em muitas coisas colocamos a culpa em Deus, mas que são problemas que nós mesmos construímos, por servir a outro senhor.
Como no Haiti. Nossa primeira intenção é xingar Deus. Mas tudo é fruto de uma cadeia de injustiça. Um povo que era escravo e foi morar ai, num lugar sem condições para se morar.
Não vale mais a vida que o sustento? Uma pergunta muito atual. Corremos mais atrás do sustento do que da vida. Perceber quais são os valores de Jesus. Quais as prioridades de Deus que Jesus revela.
Me recolocar na condição de criatura. Quem de nós tem domínio sobre a própria vida e sobre a vida dos outros. Despendemos tanta energia nos preocupando por coisas que não dependem da gente... na busca do perfeccionismo perco muita energia. O ideal de Deus para a nossa vida é alto, mas é possível porque leva em conta a nossa condição. Condição de criatura, de fragilidade.
O ideal que temos de nós mesmos e das coisas se choca com a realidade. Mas Deus é maior que tudo isso. Será que não pode se manifestar nessa realidade?
Que Deus desmonte os ideais que temos de nós mesmos, dos filhos, dos maridos, das esposas. O ideal de Deus não é desencarnado.
Deixar que Deus nos fale do pai. Contemplar Jesus vivendo a nova a lei do pai e nos deixar contagiar. O olhar de Cristo é o olhar pessoal para mim. Que esse olhar de Jesus imprima a lei em nós, por dentro.
Pedir a Maria, que deixou que Deus se manifestasse de uma forma tão nova dela. Deixar como ela que Deus revolucione a nossa vida.



(Valentina - Missionária Verbum Dei)

Sentimos realmente vontade ser filhos, cada vez que olhamos pra vida de Jesus. O desânimo desaparece quando aceito o convite de contemplar a vida de Jesus. Imaginar o olhar de Jesus, o olhar que ele tinha o poder de chamar atenção. Que jeito tinha de caminhar, de mexer, que fazia com que percebessem que tinha algo diferente. Jesus tinha uma beleza diferente
Pedir a Deus a grandeza de olhar para o se filho. A tentação mais forte na oração é ficar olhando para o nosso próprio umbigo.
Cc 1, 4, 7-8
Acreditamos que Jesus é o rei e o messias. Mas que tipo de rei? Que tipo de messias? Que possamos fazer dessa passagem as nossas palavras. Que Jesus nos conduza ao jeito dele de ser rei e de ser messias.
Com razão existem tantas pessoas que deram a vida por esse homem que viveu há tantos anos! Será que eram todos loucos? Não. A vida de Jesus é realmente apaixonante. Que Deus nos faça apaixonados por essa vida.
Pedir a Jesus, que não viajemos perdidas atrás de outros pastores. O pastor pede pra seguir as pegadas das ovelhas. Segue as pegadas dos santos da Igreja, dos mártires, dos meus irmãos de comunidade. Siga as marcas desse pastor.
O convite dessa manhã é contemplar a vida de Jesus. Não ficar só pensando e entendendo. A proposta é contemplar Jesus. Fazer uma viagem a Galiléia, onde Jesus morava. Vejamos a poeira, o deserto. Numa época super difícil, como o nosso tempo. Opressões, guerras. Ver Jesus caminhar nas estradas, no meio da poeira, suando, sujando os pés. Imaginemos Jesus, o filho, o bom pastor, naquelas atitudes que faz os outros irmãos se descobrirem filhos também. Jesus não tinha nojo dos excluídos, se aproximava e se deixava aproximar. E essa aproximação trazia a salvação. Jo 17,10
Jo 5, 1-18
E Jesus um dia decide ir para Jerusalém, que estava construída sobre uma montanha. Era uma espécie de fortaleza para proteger a própria cidade. Jesus sobe. Contemplar Jesus subindo e chegando às portas da cidade, das muralhas majestosas, passa as portas, era um dia de festa. Na páscoa, todos os judeus tinham que fazer sacrifícios em Jerusalém. Tinham também estrangeiros que simpatizavam com o judaísmo. Ouvir o barulho, aquele cheiro, que devia ser desagradável. E Jesus está ali no meio, como um deles.
Ap 3, 20 – Eis que estou a porta e chamo, se abrir, cearemos juntos.
Comer juntos naquela cultura é partilhar a vida, partilhar o mais profundo. Jesus está a porta, será que quero que ele se meta na minha vida? Ser cristão é viver uma vida de constante conversão.
Meu avô é pastor. E agora que está idoso é pastor de cabras porque elas são mais inteligentes, voltam à noite sozinhas. Das ovelhas não dá mais conta de cuidar porque precisa muito mais de cuidado. Jesus não fala que é o pastor das cabras, é o pastor das ovelhas!
Imaginar Jesus na porta das ovelhas, imaginar a piscina, os pórticos. Olhar as pessoas que estão ao redor da piscina, uma multidão de enfermos, cegos, coxos, mutilados. Nos coloquemos no meio desse povo. No meio dessa multidão. Não para se auto punir, mas porque essa é a nossa realidade, a gente não é perfeito, somos feridos, erramos, nos afastamos do projeto de Deus, porque é mais fácil confiar no que vemos aqui. É mais fácil confiar em mim e nas minhas forças do que naquilo que não se vê, que para se ver precisa esperança, paciência.
Que o bom pastor nos introduza na sua lógica. Para que vivamos como filhos, não como servos.
Conversei com meu pai há muito tempo e o que o incomoda é que lutou muito tempo para que todos fôssemos iguais. A injustiça sempre o incomodou. Lutou no sindicato, no partido, mas ficou desiludido. Via que os ideais iam se perdendo. Na sua luta, não conseguiu achar respostas. Porque viu as boas intenções se transformarem em corrupção.
Isso nos acontece o tempo todo. Acreditamos num ideal muito bonito mas na hora da verdade, alguma coisa não dá certo. Quando nos dão responsabilidades quero que tudo saia do meu jeito. Ou então acho que o outro é que tem sempre que governar, que mandar, assim não me comprometo.
Qual é a minha doença? Qual á a minha mutilação? Jesus vê o homem que está doente por toda a vida. Esse homem não pede nada pra Jesus. Como nós, temos a salvação do lado mas a buscamos fora.
Jesus interpela o doente: queres ser curado? Claro que diria que sim! Mas se Jesus fez a pergunta, e porque não é tão claro. Você quer mesmo estar bem? Você quer vida? Ser curado, estar bem, não é pra qualquer um! Estar bem significa assumir as minhas responsabilidades. Quero estar em mim mesma, com todas as responsabilidades que isso traz? Queremos vida?
Muitas vezes, a doença psicológica, é o melhor pra pessoa. A doença cria uma estrutura ao redor que faz com que não se exponham a vida.
O contrário da fé não é a duvida ou a falta de Fé. O contrário de Fe é o medo, que nos anula, nos paralisa, nos coloca máscaras.
A doença e a morte no antigo testamento eram o símbolo do pecado. Quando Jesus pergunta ao homem se quer ser curado pergunta se ele quer ser reintegrado na sociedade, se ele quer se livrar do preconceito. A conseqüência da vida cristã é a cruz. Não é fácil assumir as conseqüências das próprias opções.
O homem diz que não tem ninguém.

E isso me lembra a solidão. A solidão de Adão e Eva no paraíso. Acharam que Deus era um mentiroso e isso os separa de Deus e uns dos outros. Muitas vezes vivemos essa solidão. Muitas vezes a raízes de nossas quedas, estão na solidão, porque para não ficarmos sozinhos fazemos de tudo.
Olhar de novo pra Jesus e descobrir que não estamos sozinhos. Esse homem deveria ter alguém que o levava todos os dias para a beira da piscina, parece absurdo que não tenha nunca pedido a ninguém para colocá-lo na piscina. Esse absurdo acontece conosco também. Quantas coisas não se resolveriam com um diálogo. Sofremos muitas vezes porque não falamos.
E Jesus diz: levanta-te. Aprenda a caminhar junto comigo. Cristão é aquele que caminha com a orientação da vida de Jesus. A nossa desintegração vem da separação entre vida e fé. Perguntou pra deus se isso era legal? Muito legal nossos projetos, mas que sentido tem as minhas opções hoje à luz do chamado que Deus me faz?
Jesus encarnou o chamado do Pai. Pedia a Deus para esclarecê-lo com relação a esse chamado. Nas minhas pequenas opções, onde entra deus? Que tipo de profissional preciso ser para seguir a Jesus?
Levanta-te! Não fica esperando que a ferida se sare, caminhe com essa ferida porque Deus te dará forças. Procure caminhos, faça diferente. Procure alternativas. Vença a rotina. Ou escuto os outros ou escuto o meu próprio coração. Tenho que optar.
Será que quero mesmo viver de pé? Só depois que o paralitico se levanta é que descobre o que significa viver de pé. Os problemas vêm depois. Nem diante de uma coisa tão grande como a cura o homem foi capaz de assumir a própria vida. Colocou a culpa em Jesus. Nem sabia quem era aquele que o curou. Pegou o leito e nem olhou pra Jesus. E isso nos acontece. Temos dons e nos apoderamos deles. Os dons viram fonte de poder para nós.
O homem preferiu a integração ao grupo do que a verdade. Preferimos a integração a um grupo a dizer quem somos. Temos medo de ficar sozinhos. Jesus ficou sozinho muitas vezes. O Reino é se colocar na presença de Deus que muitas vezes é silencioso.
Ver a insistência de Jesus. O conflito que o homem não sabe enfrentar Jesus enfrenta.
As rigidezes existem ainda em nós. O homem está feito para a vida. A glória de Deus é o ser humano vivente. Pedir a Jesus que ele nos ajude a deixar que o seu olhar transforme a nossa vida.



(Célia - Missionária Verbum Dei)

Jesus veio mostrar o rosto do Pai. Veio romper todos os esquemas. Quebra esquemas. Vai mudando a mentalidade, vai nos colocando em outra realidade. As leis no antigo testamento serviam para orientar o povo.
Do meio do povo pequeno e sem poderes que vai nascer o Salvador. A lógica de Deus é muito diferente da nossa. Que Deus nos ensine a quebrar a nossa lógica. Que seja Deus que nos programe a maneira dele. Que ele possa nos situar em outra mentalidade, na mentalidade do amor. O coração da lei em Jesus é o amor, o resumo de toda a lei.
JO 3, 16 – tanto amou deus o mundo que nos envia o seu filho.
O mundo somos nós. E como está o mundo? O mundo fora, não está diferente do mundo que levamos dentro. Para transformar o mundo precisamos deixar que Deus transforme nosso interior. Talvez não vejamos os frutos das nossas ações mas aqueles que vêm depois de nós verão. Jesus também não viu os frutos imediatamente, nós somos frutos da entrega de Jesus.
Para que todos tenhamos vida. O nosso mundo grita por vida. Quem mostra a diferença? Se estou fora dos padrões fico de fora. E Jesus me chama a ver a proposta do evangelho. A proposta do evangelho nos dá uma opção, nos faz poder escolher. Somos a esperança de Deus.
Se estamos aqui é porque queremos viver uma vida diferente, com sentido. Que não significa uma vida livre de sofrimento, de dificuldade.
Jesus nos revela o rosto de Deus que é amor, que é vida.
Gn1, 26
A trindade está sempre presente em nossa vida. O Pai é o que cria, o filho é o redentor, nos une a nossa origem, e o Espírito Santo cria a sintonia entre Pai e Filho. O pai entrega Jesus e Jesus revela o pai. O Espírito Santo é o amor que há entre eles. O Amor é o que unifica.
Senhor, ensina-nos a relacionar com você. Jesus vem nos ensinar a nos relacionar com o pai. O que Deus quer simplesmente é que nos deixemos amar por Ele. Muitas vezes fazemos coisas para Deus como uma troca. Estamos acostumados a isso. Deus não precisa de nós mas se faz necessitado de nós por saber que nós é que precisamos dele, para que fiquemos perto e possamos ser de verdade felizes.
Viver a felicidade como Jesus viveu, a felicidade é entrega. A vida de Jesus nos mostra que a maior felicidade é dar a vida.
Deus cria tudo bom. Nossa origem é o bem e o Amor. E por isso nos chama a colaborar com Ele na obra da criação. Somos criaturas colaboradoras de Deus. Mas não somos criadores! Tudo que temos foi Deus que nos deu. Tudo que o homem pode criar é porque Deus quis. Deus nos deu as capacidades. Todas as capacidades nos deu para que coloquemos a serviço do bem e da vida. Tudo que Deus nos dá é em função da vida.
Como batizados, como família Verbum Dei, Deus nos chama a colaborar. Estamos todos chamados a ser fecundos.
O que acontece então? Se tudo era bom? O que deu errado?
O mal, o pecado foi a decisão do ser humano de se tornar igual a Deus, de quebrar a relação com Deus. O ser humano desobedece a Deus e não assume a sua culpa, sempre busca culpados. O mal vem do ser humano não aceitar a condição de criatura e romper a relação com Deus.
Vemos tanta injustiça. O poder pode corromper a qualquer um. Estamos todos sujeitos. Se não temos Deus forte na vida, o poder nos corrompe. Aqueles que se agarram ao poder, o fazem por insegurança. Que Jesus nos ensine a nos agarrar nele.
O amor é o que muda tudo, o que dá sentido a vida.
Jesus se faz caminho de volta a nossa identidade perdida. Jesus assume a nossa humanidade sendo obediente.
Fl 2, 6-8
Mt - bem aventuranças
Qual é alógica do reino que Jesus vem instaurar. A porta de entrada para a relação com o Deus é a primeira bem aventurança. O pobre é aquele que vai buscar a força em Deus. O pobre sabe que por ele mesmo não pode. Sabe que Deus é a força.
Maria, uma camponesa, simples, pobre. E Deus rompe esquemas e a escolhe. Ela sabe que não pode, mas quem leva a obra até o fim é Deus. Que possamos entrar por esses caminhos.
Jesus foi um homem que em nenhum momento cortou a relação com o Pai. Por isso nunca pecou. Foi homem em tudo, menos no pecado. Jesus nos reconcilia com Deus. Nele o pai nos faz filhos e filhas de Deus. A paixão de Jesus é fruto do que foi sua vida. Jesus ficava do lado dos rejeitados, daqueles que não tinham voz. Era porta voz daqueles que eram deixados de fora.
Jesus era humano, assumiu a humanidade. É amigo, amigo de Lázaro e suas irmãs (Jo. 11) chora a morte do amigo. Jesus fala da vida, mas chora diante das nossas impotências. Deus está aí junto sofrendo. Jesus introduz uma amizade que transcende.
Eclo 6 – o amigo é um tesouro precioso.
Os verdadeiros amigos fazem com que seus amigos sejam amigos de Deus. Quando Jesus ressuscita Lázaro Jesus tinha uma intenção, mostrar que Deus é o Deus da vida. No meio de tantas vozes. Conosco mesmo acontece. Muitas vozes que tentam abafar as vozes de Deus.
Prestar atenção na minha intenção, que atitude tenho de fundo em tudo que faço?
Jesus não olha para o multidão. Ergue os olhos ao pai e ora. Olha para o pai para não se dispersar pela multidão.
A intenção de Jesus era conquistar o povo para Deus. Jesus mostra ao povo que nosso Deus é o Deus da vida.
Jo12, 1-8
Deus vai nos introduzindo nesse tempo de quaresma. Maria reconhece que Jesus é o rei. E muitos não entendiam o que ela fazia. Jesus olha além do que os outros vêem. Vê que Maria está ali demonstrando muito amor e gratidão, e que nesse gesto reconhece que Jesus é o Senhor. Os presentes não entendiam porque estavam em outra onda, não estavam em sintonia. Jesus vê o coração, não a aparência.
Em quantas pessoas colocamos etiqueta, julgamos e não vemos além, sem pensar nos porquês. Que possamos ver como Ele, ir além.
Jo 13, 1-17
Jesus se reúne com seus discípulos antes de morrer. Realiza com eles a primeira ceia. Lavar os pés era atividade dos serventes da casa, tirar a poeira dos que chegavam como um sinal de acolhida. Jesus se põe como servente. Ter parte com Jesus é partilhar da sua vida, é ser parte da mesma missão. Jesus nos chama a fazer parte com ele na sua mesma missão, dentro da realidade de cada um.
O reinado que Jesus vem inaugurar, essa nova relação de poder, incomoda a estrutura da época. O poder a serviço. Jesus quer transformar a realidade que oprime.
Amar não é fácil, amar dói. Implica a vida, complica a vida. E seguir Jesus é abraçar a causa da vida, é lutar pela justiça, anunciar a palavra que transforma. É entender que não estamos livres da cruz. Se queremos seguir a Jesus nos preparemos para prova!
Eclo 2 – o ouro para ser purificado precisava passar pelo fogo.
As cruzes fazem parte da nossa condição humana. Não é que Deus as coloca, faz parte de nossa condição. E Jesus pode nos ensinar a carregar essas cruzes, e ainda nos ajuda a carregá-las. O pior que pode nos acontecer é querer carregar a cruz sozinhos.
Mt. Vinda a mim e vos darei descanso
Viemos aqui buscar a paz. Poder reconhecer que a paz é Deus. Que é Deus que nos dá a força para levantar. Ter paz não significa não ter problemas, mas receber de Deus a força e o sustento. Ver que Deus vai atuando em situacaoes tão fores. Nos momentos difíceis nos sentimos impotentes. Que possamos perceber que é a fé que nos faz seguir em frente.
Que não deixemos passar as oportunidades que Deus nos dá, que possamos ser esse sinal de esperança na vida de muitos.
Rm 5, 1-5
Olhar para a cruz como sinal de esperança e vida. Para os judeus a cruz era sinal de maldição. E Jesus assume isso que era maldição e transforma em vida. Assume as maldiçoes da minha vida e transforma em vida. Jesus na cruz nos dá vida. A cruz não nos tira a vida. A cruz vivida em Jesus nos faz dar passos além. Pedir a graça de reconhecer que temos um grande Deus.
Contemplar a cruz e ver nela a minha vida. Nossa vida vale a vida de Deus. Que possamos viver com esse valor. Reconhecer o valor da minha vida e vivê-la. A felicidade de Jesus consiste em nos devolver a vida, nos resgatar a origem, a dignidade. Nos chama a fazer isso com aqueles que Ele nos coloca no caminho. Devolver-lhes a vida.
Gl 2, 20
Paulo enfrenta muitas dificuldades em sua missão. Deus nos convida a seguir por este mesmo caminho. Nos entregar com Ele e que possamos atrair a muitos. Que nossa vida possa apontar para Jesus que é a fonte do amor.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Retiro de Carnaval - 1 Dia




Primeiro Dia: O Pai

(Célia - Missionária Verbum Dei)

Estamos vivendo um tempo de graça. Viver o Carnaval com Cristo. Agradecer a Deus porque Ele nos procura.

Cada um chega aqui com a vida, com a experiência do ano. Deus nos traz aqui porque quer nos falar. Tudo o que vivemos foi caminho para que Deus nos trouxesse até aqui. Nada acontece por acaso. Deus já tinha nos preparado esse momento.

Deus nos fez o chamado e estamos aqui. Que possamos aproveitar essa oportunidade. Calar as pressas. Parar. Nos desligar das coisas por fazer. Ter um encontro comigo mesma. Aproveitar o chamado de Deus. Aproveitar o tempo que Deus nos dá.

Estamos em silêncio para aprender a estar e conviver com Alguém que levo dentro. Para aprender a escutá-Lo precisamos de silêncio externo, que é que nos ajuda a manter silêncio interno. Buscar em Deus o porquê da nossa vida, Deus nos ama e quer nos fazer feliz.

Deus reuniu aqui a Família Verbum Dei. Para aprender a viver aquilo que Deus nos chama: ser Verbum Dei, Palavra de Deus. O que Deus me fala é o que vou comunicar aos outros. Deixar Deus falar na minha vida.

Estamos aqui porque Deus já tinha pensado. Desde onde estou Deus quer me falar, na minha vida, na minha existência. Que possamos responder esse convite de onde estamos.

Existem muitas coisas misturadas por dentro. Estamos cheios de correria, trabalho, estudo. Vamos dormir e não temos consciência do que vivemos no dia. Os exercícios espirituais servem pra pôr ordem na vida, colocar as coisas no lugar. Descobrir que Deus vai conduzindo a nossa vida. Identificar o que vamos vivendo e perceber que em tudo Deus está falando.

Os exercícios espirituais são instrumento com o qual o Espírito Santo vai configurando a nossa vida, fazendo com que seja o que Ele nos chamou a viver. A imagem de Jesus, do Filho. O Espírito Santo quer nos fazer viver como Jesus. Para que sejamos palavra viva de Deus.

Há muitas palavras soltas no mundo. Deus quer unificar a nossa vida. Que a nossa palavra seja vida. Que vivamos o que falamos. Que Palavra e vida sejam uma coisa só.

Quando vemos o mundo desacreditamos na palavra. Falam uma coisa e fazem outra. E isso nos faz rejeitar a palavra. Deus nos chama a ser Palavra. Que Ele nos oriente a viver como Ele quer.
Hoje percebo em mim três movimentos espirituais: Súplica, desejo e ação de graças. Suplico que o Espírito Santo nos ajude. É Ele que nos leva. Que nos deixemos na Suas mãos, Senhor. Que nos deixemos guiar por Deus. O Espírito Santo vai atuar. Sinto desejo de fazer esse retiro. Disponibilidade interna. Vontade de estar com Deus, de estar com o essencial da minha vida. Me deixar encontrar com Deus, desde onde estou, não como eu gostaria de ser, ou gostaria de estar. E ação de graças porque estamos nas mãos de Deus. Nas mãos seguras do Pai. Como um jarro frágil, mas nas mãos daquele que pode transformar. Dar graças por tudo, mesmo pelo que não entendemos, que possamos reconhecer que essa obra é obra de Deus.

Deus quer falar em tudo. Estamos aqui porque somos pessoas de fé. A primeira atitude para fazer os exercícios é ter fé. É a fé que Deus vai exercitar para que possa aumentar e nos sustentar.

Reconhecer que em tudo o que vivi neste último ano, Deus foi preparando esse momento.

Sab 8,2 – Eu a quis e a cortejei desde jovem, e a pretendi como esposa, apaixonado por sua formosura.

Deus está apaixonado por nossa vida e por isso nos traz aqui. Nos busca por meio de todos os acontecimentos para que tenhamos vida plena. Deus nos chamou para estarmos aqui alegres Nele. Não é simplesmente uma alegria externa, mas uma alegria profunda que nada pode me tirar.

Levamos uma comunidade dentro: a Trindade. Uma comunidade que está em harmonia, que está unida pelo Amor. Deus nos chama a estarmos unidos a Ele pelo Amor. Deus está comprometido com a nossa vida. Não nos deixa só. Ele se compromete. Nos chama pessoalmente e em comunidade para que nos ajudemos a viver a fé.

Toadas as fontes estão em mim. Que busquemos dentro. O retiro é para exercitar o beber dessa fonte. Temos sede de muitas coisas, de vida, de paz, de felicidade, de vida com sentido. E Deus nos diz que temos tudo isso dentro de nós. Tudo que preciso está dentro. O resultado desse retiro será o encontro com Deus. Que o Espírito Santo nos ajude a fazer exercícios de fé. A crer sem ver. Como o ar, não vemos, mas sabemos que Ele está, nos sustenta.

É o Espírito que conhece todos os meus cominhos. De tudo o que vivemos deixemos que Ele nos diga a sua versão. Que Deus nos dê a visão dEle dos fatos. Deus já sabe tudo. Muitas vezes queremos o porquê. De tudo Deus tira o bom, até daquilo que eu gostaria de apagar da minha vida. Tira o precioso de tudo. Que tenhamos uma atitude de abertura para que Deus possa falar.
Deixar que Deus nos abra caminhos. Se uma porta fecha, muitas se abrem. Deixar que Deus abra essas portas. Deixar que Ele dê as respostas que estou procurando. O material que trazemos para Deus trabalhar é a nossa própria vida, para que Ele possa modelar conforme a Sua vontade, com o querer Dele, que é o melhor pra gente.

Que Deus me faça a Palavra Dele. Ser como um livro em que Deus possa escrever. Ser como cadernos novos no início do ano. Que Deus escreva o que Ele quer que eu viva nesse ano, e que Ele me conduza a viver tudo isso.

Sl. 8 – O que é o homem para que dele te lembres?

Deus tem uma perspectiva muito grande para a nossa vida. Muito mais do que nós mesmos. A perspectiva de Deus sobre a minha vida é muito maior do que a minha própria perspectiva. Deixemos que o Espírito Santo nos leve além, nos faça ver como Deus vê a nossa vida e o mundo. Poder ver com os olhos de Deus, pra que nada no mundo possa abafar a nossa fé. Para que possamos ser a diferença, ser a esperança do mundo. Colocar nós mesmos aquilo que o mundo precisa.

Mt 6 – Entra no fundo do teu coração, fecha a porta e ora aí a teu Pai.
Dialogar com Deus, que está no mais íntimo. Ele dará a você o que você precisa. Falar tudo pra Deus. Ele sabe tudo, mas quer que eu me faça consciente.

Mc 10, 46-52 – O cego de Jericó
Mt 9, 27-31

O cego percebe que Jesus está e pede piedade. Na nossa vida também temos multidões que tentam nos calar. Que gritemos mais forte. Que os valores do Evangelho sejam mais fortes. Que as vozes do mundo que tentam nos escravizar não sejam mais fortes que os valores do Evangelho.

Jesus não está indiferente com a vida de Bartimeu. Pára, se detém. A multidão que tenta calar Bartimeu, o leva até Jesus, quando Ele chama.

Que queres que eu faça por ti? Deus nos pergunta hoje. A cegueira são as situações vividas que tentam nos tirar o horizonte. O cego já estava sentado na beira do caminho, mendigando. Deus quer nos devolver a vista e fazer com que caminhemos. Muitas vezes nos encontramos sentados na vida, sem saber por onde, como... Muitas coisas que vivemos ao longo do caminho são muito fortes, Deus sabe. E aí me pergunta: o que queres que eu faça por ti?

Que você possa expressar a Deus o que você precisa: caminhar, aceitar a vida como ela é, viver, aumentar a fé, que não fique parada no sentimento. A fé vai além dos sentimentos. É o que nos mantém em pé.

A nossa vida pode estar boa, mas nos falta paixão. Paixão pela vida, paixão por Jesus, paixão pelo Evangelho, Paixão pelo Reino que Jesus vem anunciar.
E pode ser que nos sintamos paralisados pelas circunstâncias. Queremos viver o que Deus nos fala mas encontramos correntes contrárias. Experimentamos a tentação de parar no caminho. E nos questionamos: será que esse caminho vale a pena? Será que esses valores valem a pena? Será que os valores que a sociedade me oferece são os que tenho que viver? Poder ser mensagem de Deus.

Escutar a voz de Deus que me levanta. No meio de tantas vozes parar e escutar a voz de Deus. A voz de Deus que me devolve a vida, que me faz voltar a caminhar. Pedir a Deus aquilo que vim buscar aqui. Expor pra Ele a minha causa. Mas também escutar a versão dEle, que pode ser muito diferente da minha. Que Ele possa nos introduzir nesse caminho de fé, nesse terreno de fé, para que possamos encontrar o que viemos buscar. Que Maria possa nos acompanhar nesses dias, para que possamos como ela, escutar a Ele e fazer o que Ele disser.






(Noelia - Missionária Verbum Dei)

Estamos praticando um ato revolucionário. Como pode um retiro em silêncio ser revolucionário? Sem armas, sem força, sem alvoroço?

Hoje as armas já não são mais revolucionárias, não provocam mudanças. O que verdadeiramente provoca mudanças hoje é o silêncio. Quem no Brasil passaria um carnaval em silencia? Quem dá seu próprio tempo de graça no mundo de hoje? O que vendemos hoje para o capitalismo é o nosso tempo. O comércio não fecha. Temos dois trabalhos. Nos transformamos em operários do capitalismo, em peças de uma máquina. Então, dedicar um tempo de graça para Deus é um ato revolucionário. Estamos aqui tentando refletir sobre a nossa vida, e não deixar que a vida seja dona de nós. Isso é um ato revolucionário.

Sócrates dizia que uma vida que não pode ser refletida não vale a pena ser vivida. Para nós cristãs e cristãos a máxima é: uma vida que não pode ser orada, rezada, lida, desde o olhar de Deus, que não pode ter oportunidade para contemplar e viver a vida de Cristo, não vale a pena ser vivida.

O silêncio se faz difícil muitas vezes. É difícil entrar em silêncio. Estamos acElerados, é difícil parar. Começa até a surgir um tédio muito grande. Não temos nem tempo pra ter tédio. Enchemos nosso tempo de coisas e esquecemos que o tédio faz parte da vida. O ritmo lento faz parte da vida e da natureza. Nós somos partes da natureza e temos um tempo lento também para as coisas da espiritualidade, obedecer o ritmo de Deus e do nosso coração.

São exercícios espirituais. Façamos exercícios espirituais para a vida. Aqui no retiro vivemos muitas coisas rápida e intensamente. Esse é o momento privilegiado para perceber como nos sentimos diante de várias situações.

No decorrer do ano estaremos muitas vezes entediados, cansados, angustiados, sentindo-nos sem controle. Como aprender a viver isso com Deus? Os exercícios nos ensinam isso.

Que não percamos a oportunidade de viver uma vida desde o olhar de Deus. De sermos protagonistas de nossa própria vida. Também esse espaço é um tempo revolucionário porque supõe gratuidade da nossa parte, de nos colocar diante de Deus e esperar que Ele se apresente quando quiser e como quiser. É um tempo de gratuidade de Deus também, que se apresenta sem pedir nada em troca.

Is. 55,1 – Atenção sedentos! Vinde às águas, também vós que não tendes dinheiro: vinde comprai trigo, comei sem pagar, vinho e leite gratuitamente.

É difícil com a nossa mentalidade acolher algo de graça, pensar que não temos que merecer. Isso é muito difícil pra nós. E queremos nos relacionar com Deus assim. Queremos merecer. E Deus se dá de graça.

O retiro serve para nos colocarmos abertos diante de Deus e deixar que Ele nos dê essa água que sacia. O grande protagonista do retiro é o próprio Deus. Pedir que Ele nos dê a graça da oração . Mesmo que tenhamos muitos anos de caminhada, muita experiência de oração, a oração será sempre graça.

O nosso Deus Trindade é o protagonista do retiro. O Deus que é “todas as nossas fontes”. No Verbum Dei, uma das fontes de espiritualidade é a Trindade, assim como o Corpo Místico, a Eucaristia e Maria. Nossa vida está chamada a ser convivência e diálogo com a Trindade. Nossa vida é casa de oração porque esse Deus que é Trindade está em nós. Esse Deus Trindade é essa fonte que está sempre jorrando, é inesgotável. Nunca poderemos dizer que O conhecemos completamente. Cada um tem um jeito especifico de experimentar Deus. Mas existem certas características que são iguais. Por exemplo, Deus se manifesta com Amor. Se se manifesta com ódio não é Deus.

Temos alguns parâmetros para reconhecer se estamos mesmo dialogando com Deus.
O povo de Israel experimentou Deus, como Deus libertador, em um tempo de crise. Porque quando estavam cômodos, nem pensavam que eram eles e quem era Deus. Mas quando começaram a apanhar a serem expulsos de suas terras, começaram a se questionar: quem é Deus? Quem somos nós? Isso também acontece conosco. Quando as coisas vão apertando começamos a nos questionar: onde está Deus? Com que Deus tenho convivido?
O Egito, para o povo de Israel, era o lugar da escravidão. Ex 3, 2-9

Moisés era pastor das ovelhas do sogro e um dia quis ir com as ovelhas em um lugar que nunca tinha ido. Atravessou o deserto e chegou ao monte de Deus.

Moisés foi se dispondo para o encontro com Deus, como nós também temos que fazer. E houve algo que chamou a atenção de Moisés. Na oração, me aproximar da palavra que me chama a atenção. Na oração tenho que fazer o exercício de me colocar por inteiro diante da presença de Deus. Tirar as sandálias dos pés, tirar os preconceitos, e se aproximar de Deus como esse terrenos sagrado que é sempre mais do que você.

Quem é o Deus com que estamos convidados a passar esses quatro dias? Moisés sentiu reverência porque aquele Deus não era qualquer um, era Deus da sua história, era o Deus do seu povo, um Deus que tinha sido fiel a tantas gerações.

Quem é o meu Deus? Em que sarça Deus está se manifestando agora, hoje, na minha vida? Em eu momentos da minha historia Deus se manifestou com fidelidade?

Essa foi a experiência de Moisés, ver que Deus era o Deus dos pais dele. A passagem continua descrevendo quem é esse Deus. Um Deus de compaixão, um Deus que vê a opressão do povo, que ouve seus clamores, que conhece o sofrimento do povo. Conhecer na Bíblia não é um conhecimento intelectual. É um conhecer experiencialmente, é padecer com.

Deixar que Deus nos diga essas palavras. Deixar que Ele diga que esteve comigo, que sofreu e sofre comigo.

“E desci para livrá-los dos egípcios.” Essa é a dinâmica constante de Deus para conosco. Desceu em Jesus e continua descendo através de tantas coisas e pessoas. A dinâmica de Deus é descer para nos libertar dos nossos “Egitos”.

Quando experimentei que Deus desceu até mim? De que Egitos Ele me libertou? Quais são os nossos Egitos? Aqueles que nos escravizam e não nos deixam viver com alegria e espontaneidade?

Deus nos liberta de vagar sem sentido. Tantas experiências que nos fazem sentir tão frágeis e tão pequenos. Existimos porque Deus quis. É o sentido da nossa existência. Deus nos livra da crueldade da vida. Lembrar dos momentos em que Deus se manifesta no meio da crueldade da vida.

Na rua onde moro existe uma família que vive na rua. Um casal com uma criancinha de uns quatro meses. Outro dia ela me pediu um pouco de comida para almoçar e quando desci para levar ela estava dando de mamar ao menino. Parecia faminta, mas antes de pegar a comida, colocou o menino para arrotar, toda cuidadosa. Me ofereci para segurar o menino enquanto ela comida, mas ela disse que não precisava, que ela se ajeitava. Claro, não me conhecia, não ia deixar o filho com uma estranha. Uma pessoa que tinha todos os motivos para perder a ternura, mas agia com muito mais amor que cuidado que muitas mães que possuem duas babás! Deus se manifesta no meio da crueldade da vida!

Perceber isso na nossa historia. Como em momentos tão difíceis Deus nos manifestou sua beleza. Deus nos livra da nossa lógica de troca, de comprar tudo. Nos amou primeiro. Nisso consiste ao amor. Deixar que Ele se manifeste e nos ame primeiro.

Nos momentos de silêncio, o que fazer?

Buscar um lugar cômodo.
Reler as pistas de oração.
Me colocar na consciência da presença de Deus.
Pedir a Deus que se manifeste. Que todos os meus desejos, ações e pensamentos se orientem pra Ele.
Pegar o texto bíblico e imaginar o lugar. Composição de lugar. Contemplar, saborear, me colocar no lugar do personagem da passagem.
Depois de me envolver com a passagem vou dialogando com Deus. Tento responder aquelas perguntas feitas anteriormente. (Quem é o meu Deus? Em que sarça Deus está se manifestando agora, hoje, na minha vida? Em eu momentos da minha historia Deus se manifestou com fidelidade? )

Depois faço a revisão da oração, relembro e registro a oração. Anoto as dicas, o que me chamou mais a atenção. Anoto quais os sentimentos que a oração me provocou.

Anotar quais os chamados senti por parte de Deus. Quais são as minhas resistências.

Assim posso ir tomando consciência do meu processo interior.




(Valentina - Missionária Verbum Dei)

Estamos meditando sobre a presença de Deus na nossa vida. A presença do Pai. Quem é esse Deus que é pai, que está na nossa vida?

A realidade de ter Deus na nossa vida é uma coisa muito grande. Faz muita diferença ter Deus como centro da vida ou não ter. A luta de Jesus foi fazer com que todos tivessem o Amor no centro da vida. Não ter o amor no centro da vida cria a pobreza, a diferença.

Qual o sentido da celebração eucarística? Toda eucaristia no fundo é uma ação de graças. Por que temos que dar graças se tantas coisas dão errado? Algumas teórico dizem que a nossa oração eucarística está feita sobre uma oração judaica em que davam graças e depois pediam. Porque é só dando graças que podemos saber o que pedir para Deus. Se não temos memória não sabemos como caminhar. Reconhecer como Deus continua se partindo, se oferecendo a nós. Aprendamos a dar graças para saber como continuar o caminho.

Estávamos meditando a revelação de Deus a Moisés. É engraçado reconhecer que Deus se manifesta a Moisés pelo interesse próprio de Deus. Deus se apresenta como um Deus preocupado com a humanidade. Será que sabemos disso? Reconhecemos isso? Reconhecemos que Deus não está longe mas se preocupa com a nossa humanidade?

Moisés pergunta em nome de quem deve dizer que está indo. E Deus diz: “eu sou aquele que é”. O que significa isso? Deus é aquele que está junto de nós. Deus vai falando com Moisés que é justamente um desligado do próprio povo, estava fugindo... não sabia direito o que era porque tinha sido criado pelos egípcios, mas se sentia israelita. Tanto que matou um egípcio ao vê-lo maltratar um israelita.

E Deus vai justamente a esse homem para que seja instrumento de salvação. O que acontece nesse encontro entre Moisés e Deus? Moisés tem a chance de descobrir a própria origem. O que ele desejava desde sempre era estar com o próprio povo. É difícil ir atrás dos nossos sonhos. A desesperança é a pior cadeia que pode existir. A nossa sociedade nos deixa desesperados ou apáticos. Deus desperta o desejo de juventude, de liberdade para todos, em Moisés.

Santo Inácio disse que o ser humano é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus e assim salvar-se. Mas de verdade, são poucas as pessoas que têm condições de louvar a Deus, porque para louvar a Deus é preciso ter um mínimo. O que Deus quer é que todos tenham uma vida tão feliz que sejam capazes de louvar.

Então o povo sai da escravidão e chega à terra prometida. Depois são expulsos dessa terra, vão para o exílio. É a história da nossa própria vida. O que o povo de Israel entende disso tudo: que Deus é o Deus da história. Que não é um Deus só deles. É Deus de todos, dos egípcios, dos babilônios. E muitas vezes nós achamos que Deus é só o nosso Deus. Que quando tudo vai mal, Deus não está. Até mesmo no nosso exílio pode ser lugar de revelação de Deus.

Se deixe interpelar por esse Deus que nos interpela nos exílios, não só nas partes boas. Se me conformo perco a melhor parte. Coisas boas podem nascer da parte difícil da nossa historia. Nos faz pensar em caminhos diferentes, em alternativas

Se não me conformo, não me centro, diante das dificuldades, descubro que Deus é o Deus da história.

Gn 11, 10ss

Rezar a genealogia de Abraão para descobrir qual é o nosso lugar na história. Qual é o nosso lugar na criação. Naquele tempo você descobria quem era revendo a sua genealogia. Você era alguém somente se tinha pai. Descobrir o nosso lugar. O nosso espaço. Nessa genealogia é Deus que se manifesta como pai que, naquela cultura, era a origem da vida.

Abraão, que tinha uma raiz, que sabia de onde vinha, foi chamado por Deus. O chama a se desenraizar. Pede para que ele vá pra outra terra porque quer se manifestar como Pai de Abraão, pai que gera, dá nome e direitos. Ser pai naquela época era isso.

Quais são os direitos que Deus nos dá. Sai das suas seguranças. E só saio das seguranças se tenho confiança em que m chama. Só posso ter esse nível de confiança se descubro que Deus é o meu chão. Deus promete a Abraão uma grande descendência. Naquela cultura, a fecundidade era fundamental. Faz também com que Abraão reconheça quem ele é. Somente quando descubro quem é meu criador posso descobrir de verdade quem sou. Se faço essas descobertas posso fazer muito bem ao mundo. Posso ser dom para os outros. Posso quebrar essa lógica de ricos e pobres, de ter ou não ter.

Perguntas para a meditação:
O que significa que Deus quer me criar hoje de novo? Que Deus é o meu criador? O que significa ser bênção e como da minha maldição Deus pode fazer surgir bênção?

As mulheres e homens que mudaram a humanidade foram aquelas e aqueles que se sentiram amados por Deus. Que à luz do Evangelho possamos buscar respostas para que o mundo possa ser diferente.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pistas de Oração - Venha Comigo!

Mc 1, 14-20

Depois que João foi preso, Jesus seguiu para a região da Galileia e ali anunciava a boa notícia que vem de Deus. Ele dizia:
- Chegou a hora, e o Reino de Deus está perto. Arrependam-se dos seus pecados e creiam no evangelho.
Jesus estava andando pela beira do lago da Galileia quando viu dois pescadores. Eram Simão e o seu irmão André, que estavam no lago, pescando com redes. Jesus lhes disse:
- Venham comigo, que eu ensinarei vocês a pescar gente.
Então eles largaram logo as redes e foram com Jesus.
Um pouco mais adiante Jesus viu outros dois irmãos. Eram Tiago e João, filhos de Zebedeu, que estavam no barco deles, consertando as redes. Jesus chamou os dois, e eles deixaram Zebedeu, o seu pai, e os empregados no barco e foram com ele.

Passadas as festas, muitos/as estão ainda em ritmo de férias, descansando, viajando. Outros/as continuam trabalhando... Seja qual for a situação, que possamos dar tempo a Deus. Dar tempo a Ele no nosso dia a dia, com tudo que temos que fazer. Dar tempo a Ele no meu descanso. Que aqueles/as que estão de férias possam descansar também em Deus.

A liturgia de hoje nos propõe aceitar o convite de Jesus: “Vinde comigo!” Jesus chama seus discípulos enquanto estavam trabalhando. Quer dar transcendência à vida deles. E quer fazer o mesmo com a nossa. Quer dar transcendência a todas as nossas atividades. Quer encher de significado tudo aquilo que fazemos.

Precisamos da transcendência. A vida é tão transitória, tudo passa tão rápido, tantas coisas acontecem, coisas inclusive que não entendemos, que muitas vezes não aceitamos... Em todas essas situações, diante de todos esses limites da vida, diante de circunstâncias muito duras, encontro descanso quando Deus me faz ver, por trás de tudo, um fio de eternidade. Fio que muitas vezes é quase invisível e por isso precisamos de fé para percebê-lo.

O chamado de Jesus não me tira da realidade. Não pretendia tirar Simão, André, Tiago e João da realidade. Mas pretendia fazer com que vivessem a realidade (pescar) de uma forma diferente (“ensinarei vocês a pescar gente”).

É assim também o chamado de Jesus a nós. Não quer nos tirar da nossa realidade, não nos tira os limites, não nos tampa os olhos diante da verdade, diante das circunstâncias. O chamado de Jesus vem pra nos ajudar a viver a realidade com paz e a fazer a nossa parte para transformá-la, quando necessário, quando possível. Jesus nos chama a colocar pegadas de eternidade em nosso cotidiano.

Que significa pra mim, hoje, que Jesus me ensinará a pescar gente? Disse assim aos discípulos por querer entrar na realidade deles, pois eram pescadores, essa era a profissão deles. E a mim? Como Jesus se dirige hoje? A que me convida?

Pode ser um momento de rever a forma como tenho trabalhado, como tenho estudado, como tenho me relacionado com minha família, com meus amigos. O Amor tem sido o centro das minhas atividades e das minhas relações?

Que possamos nessa oração ouvir a pergunta que Jesus tem pra nós. Que possamos deixar que Ele entre em nosso cotidiano e faça perguntas específicas a cada um de nós. Porque só esse relacionamento pessoal, somente esse convívio cheio de intimidade pode nos dar força e ânimo para responder tão prontamente como fizeram os discípulos que, deixando tudo, imediatamente foram com Ele.